Fauna & Flora


Seguir a ligação da imagem para imprimir o programa (.pdf).
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Dias 25 e 26 de Setembro de 2010 (Sábado e Domingo) a Loja de História Natural irá desenvolver o seu primeiro programa de actividades, a decorrer durante as Jornadas Europeias de Património. O objectivo desta iniciativa é contribuir para chamar a atenção para o Património Vivo como parte integrante e enriquecedora do nosso património. Em especial, queremos focar a nossa atenção no bairro em que se insere a loja, no Príncipe Real, e contribuir para o conhecimento do seu riquíssimo espólio de árvores e outras plantas de interesse histórico e científico que compõem o Jardim Botânico da Universidade de Lisboa e o Jardim França Borges.
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No programa que apresentamos aqui, incluímos uma visita guiada ao Jardim Botânico no Sábado de manhã, promovida pela Liga dos Amigos do Jardim Botânico para chamar a atenção para a ameaça real ao jardim que vem do Plano de Pormenor do Parque Mayer, defendido pela Câmara Municipal de Lisboa (CML). A mesma CML que em 2009/2010 deu um golpe duríssimo no Jardim França Borges, mostrando não ter a sensibilidade necessária para gerir os seus espaços verdes de forma equilibrada e respeitadora dos seus valores. Faremos por isso uma visita ao Jardim França Borges, em colaboração com os Amigos do Príncipe Real, para dar o conhecer o riquíssimo mas ameaçado espólio arbóreo deste jardim.

No Sábado, 25 de Setembro de 2010, promovemos também um almoço convívio para bloguistas e leitores de Blogs de Ambiente, a decorrer entre as duas visitas no Sábado.

Já no Domingo, organizamos de manhã, em colaboração com o Mar Energético, uma visita guiada ao Jardim Botânico sobre a o tema da gravidez e a sua relação com as plantas, e à tarde promovemos uma Oficina de Desenho de Campo com o ilustrador Filipe Franco.

É já nos próximos dias 26 e 27 de Junho de 2010 que irá decorrer na Herdade da Mourisca (Moinho de Maré da Mourisca), Faralhão, a cerca de 6 km de Setúbal, na Reserva Natural do Estuário do Sado a segunda edição da  Feira Ornitológica Observanatura. “A Feira conta com uma variedade de iniciativas cujo tema forte é o Turismo da Natureza, com especial destaque para o “Birdwatching”. Nestes dois dias os visitantes poderão usufruir de workshops, mini-cursos, passeios na Reserva Natural do Estuário do Sado, por terra e no rio, para observação de aves, actividades para os mais jovens, ateliês e sessões de anilhagem, à semelhança do ano anterior.” Ver toda a programação e informação aqui.

Instalações da futura Loja de História Natural.

Espero que sim! Estou a criar um espaço em Lisboa onde a Fauna, a Flora e a Geografia sejam idioma comum, para facilitar o conhecimento, o usufruto, a partilha e a descoberta do mundo natural. Ficará em frente ao Museu Nacional de História Natural, no topo da Rua Monte Olivete, junto à Rua da Escola Politécnica.

À semelhança do que aconteceu com o projecto da minha Casa na Arruda-dos-Vinhos, vou acompanhar online o desenvolvimento desta aventura.

Mas o que é uma Loja de História Natural? Tenho 90 dias para definir e construir este espaço e a vossa opinião e contributo serão muito bem vindos!

A partir de 1 de Março de 2010, data prevista de abertura, convido-vos a visitar a loja. Vou ficar muito feliz de vos ver!

P.S. – Entretanto 1 de Março de 2010 veio e foi e a loja ainda não abriu! Mas não desesperem (?!), estou a trabalhar afincadamente no assunto. Vão espreitando, mas não se preocupem que eu vou fazer alarido quando a loja abrir!
esquilo

Foto de esquilo por Toivo Toivanen e Tiina Toppila.

A extirpação de uma população de um ser vivo significa que numa determinada zona já não subsiste nenhum exemplar no estado selvagem da espécie em causa. É um facto geograficamente delimitado. Assim, a extirpação em Portugal no século XVI do esquilo Sciurus vulgaris não impediu que no final do século XX se tenha assistido a uma recolonização do nosso teritório continental por esquilos vindos de Espanha e reintroduzidos no Parque Florestal de Monsanto.

É importante salientar que a extirpação de um ser vivo de uma área contribui para fragilizar o seu estatuto global de conservação e aumentar a probabilidade de se vir a extinguir, pois resulta na diminuição do número global de indivíduos e leva à perda de diversidade biológica da espécie. Mas não significa que o ser vivo esteja extinto.

A extinção de um ser vivo significa que não existem mais exemplares vivos em todo o planeta, no mundo selvagem ou em parques botânicos ou zoológicos. Quando se usa a palavra extinto ou extinção de forma isolada está-se a referir a extinção global, em todo o planeta. É final e irreversível.

Cada vez mais no presente assistimos à aceleração de extirpação de populações e extinção de espécies. As notícias sobre estas questões multiplicam-se. Por isso acho que seria importante concordar-se nas condições para o uso destes termos, para tornar a linguagem o mais clara possível.

Evitar a confusão nem sempre é fácil. Com demasiada frequência, a extirpação de uma população local acaba por ser mais um passo na imparável marcha para a extinção. E a extirpação da última população existente de um ser vivo resulta na sua extinção, contribuindo para o esbater da diferença entre os dois termos. Disto resulta que, muitas vezes, ao falar-se de extirpação de uma população a mesma é referida como extinção. Há, também, quem defenda o uso do termo extinção local como equivalente de extirpação. O problema é que esta nuance é perdida em pessoas sem conhecimentos técnicos específicos e acaba-se por referir o facto como extinção, sem acrescentar o epíteto geográfico.

Será importante esta confusão de termos? Não estamos afinal a tentar conseguir travar o enorme empobrecimento da diversidade biológica que será o grande legado civilizacional do século XXI?

Na minha opinião esta confusão é importante e deve ser evitada. Clarifique-se o mais possível o uso destes termos. Por isso, proponho que ao escrever-se sobre conservação da natureza ou história natural se faça bem a distinção entre extirpação, local e reversível, e extinção, global e irreversível.

Disso depende uma correcta prioritização de projectos de conservação e uma correcta informação do público. Como exemplo de um uso correcto destes conceitos refiro o Plano Nacional da Conservação da Flora em Perigo, do ICNB-Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade, onde se fizeram planos de conservação de sete espécies de plantas endémicas de Portugal e ameaçadas de extinção e de uma espécie, o famoso trevo-de-quatro-folhas Marsilea quadrifolia, ameaçado de extirpação em Portugal, mas presente em outros países da Europa. A perda das populações das espécies endémicas resultaria na extinção no mundo selvagem das espécies endémicas, enquanto a perda da população do trevo-de-quatro-folhas em Portugal resultaria na extirpação destas populações e não na extinção da espécie.

trevoquatrofolhas

O feto aquático trevo-de-quatro-folhas, ameaçado de extirpação em Portugal.

goraz

Andava eu de olho nas plantas do jardim, a preparar a visita guiada de amanhã, quando por entre a vegetação espreita uma linda garça, um goraz Nycticorax nycticorax. Os olhos vermelhos, a plumagem azul, sobressairam da beira do lago. Parece que nidificam no jardim Zoológico de Lisboa, não muito longe, e estão mais activas no crepúsculo. Saquei da máquina fotográfica minúscula e tirei algumas fotos com o zoom no máximo, sem tripé – e o que se consegue fazer com uma pequena máquina fotográfica hoje em dia! Foi um brinde. Amanhã haverão mais!

A 3 de Setembro de 2009 celebrou-se o centésimo quinquagésimo aniversário da descoberta para a ciência ocidental de uma planta verdadeiramente única, a Welwitschia mirabilis. Foi descoberta pelo explorador e botânico austriaco Frederich A. Welwitsch a 3 de Setembro de 1859 no deserto Angolano de Moçamedes, hoje denominado deserto do Namíbe. A planta viria a ser classificada oficialmente por J. D. Hooker alguns anos mais tarde que a nomeou em honra do seu descobridor.

Desenho feito por Hook.

Desenho feito por J. D. Hooker.

A sua classificação obrigou à criação de um género e família novos para acomodar as diferenças desta planta, algo raro em botânica. Possuidora de características mistas entre plantas sem flor e plantas com flor, foi apelidada de ‘ornitorrinco‘ da botânica. Descrito no final do século XVIII, este mamífero australiano que no entanto põe ovos, tem bico de ‘pato’, cauda de castor, patas de lontra e é venenoso tinha deixado a comunidade científica boquiaberta. E o mesmo acontecia de novo com a Welwitschia mirabilis.

Presente em zonas desertas da Namíbia e Angola, esta planta possue apenas duas folhas que crescem continuamente a partir da base, podendo as folhas rasgarem ao longo do seu comprimento e aparentar serem várias. Pode viver mais de mil anos, sempre com as mesmas duas folhas. Obtém água a partir dos nevoeiros e possuí cotilédones que persitem mais de um ano. É dióica – plantas macho e fêmea separadas – e apesar de, como as coníferas, não produzir flores o pólen assemelha-se ao de plantas com flor. É considerada um fóssil vivo e poderá ter conseguido persistir devido à antiguidade do deserto do Namibe da costa Sudoeste de África, área árida desde há pelo menos 55 milhões de anos.

Exemplar com mais de mil anos. © Thomas Schoch GDLP

Exemplar com mais de mil anos. © Thomas Schoch GFDL CC-BY-SA-3.0

A descoberta desta planta está fortemente ligada a Portugal. Não só foi identificada em território sobre jurisdição portuguesa, em Angola, como o primeiro exemplar recolhido, e que serviria de base para a futura descrição científica, ficou depositado no Herbário do Jardim Botânico da Universidade de Lisboa. Os exemplares que dão origem à primeira descrição de uma espécie biológica são denominados de exemplares-tipo ou espécimes-tipo e são de extrema importância para a biologia, pois servem de referência para questões relacionadas com aquela espécie. A hoje em dia muito desprezada ciência da Sistemática - classificação (taxonomia) e nomeação (nomenclatura) de seres vivos – é um dos pilares essenciais da ciência moderna, daí a importância – muito esquecida! – dos espécimes-tipo.

Para celebrar os 150 anos da descoberta desta fascinante planta, os Correios de Portugal estão a fazer a emissão de um selo comemorativo, disponível ao público em breve.

Foto de Luc Viatour

Foto de © Luc Viatour GFDL/CC

O chapim-real Parus major é o nosso maior chapim, chegando a ter 14 cm de comprimento. É relativamente comum em áreas florestadas e pode ser escutado e observado por todo o país, da Serra de Montesinho em Trás-os-Montes às Serras de Monchique e Caldeirão no Algarve. Alimenta-se essencialmente de insectos e dá uma enorme contribuição a agricultores na redução dos danos causados pelas lagartas de certas borboletas que se alimentam das folhas de árvores de fruto.

Mas um novo estudo documenta que, nas montanhas Bukk, no Nordeste da  Hungria, o chapim-real aprendeu a caçar e alimentar-se de morcego-anão Pipistrellus pipistrellus em hibernação, a primeira vez que se regista este comportamento. Já havia relatos da Suécia e Polónia de morcegos aparentemente mortos por chapins mas só agora se comprovou.

morcegoanaowikipediaO morcego-anão é o nosso mais pequeno morcego, e com um corpo de 3.5 a 4.5 cm chega a ter apenas um quarto do tamanho do chapim-real. É um morcego comum entre nós e ao anoitecer, no Verão, é frequente vê-lo no campo ou na cidade a voar à caça de traças, mosquitos e melgas.

Os chapins apenas caçam os morcegos quando não têm alternativas de comida e só conseguem fazê-lo visualmente, ou seja só caçam morcegos que estejam em cavidades com luz suficiente para serem detectados e mortos. Um pequeno vídeo na BBC mostra este fenómeno.

Como evoluíu este comportamento é ainda uma incógnita, mas sabe-se que os morcegos-anão e os chapins por vezes ocupam o mesmo tipo de cavidade, uns para descansar durante o dia ou hibernar no Inverno, os últimos para fazerem ninho. Não é difícil imaginar um cenário em que um chapim tenha encontrado um morcego moribundo ou morto e tenha, oportunisticamente, se alimentado da sua carcaça. Mas isto já é especulação!

Será importante salientar que este comportamento dos chapins não é uma ameaça às populações de morcego-anão, visto apenas parecer ocorrer em circunstâncias muito específicas.

Foto de Luis Ferreira.

Foto de Luis Ferreira.

No final do Verão, os veados Cervus elaphus entram em época de reprodução. Os machos desta espécies tornam-se territoriais para obter direitos de acasalamento sobre as fêmeas que deambulem nos seus territórios. E iniciam a vocalização, dia e noite, de penetrantes bramidos, para tornar a sua presença conhecida às fêmeas e a outros machos – a brama. A brama é um espectáculo natural que em Portugal é particularmente audível no Parque Natural de Montesinho, na Serra da Lousã e no Tejo Internacional. Na Tapada de Mafra, espaço fechado com gestão cinegética, também é possível usufruir deste evento anual. Já a Tapada de Vila Viçosa é de acesso muito restrito.

Selo dos CTT

Selo dos CTT

Este ano, a produção de landes/bolotas pelas várias espécies de carvalho da nossa vegetação parece ter ajudado a anteceder a época de reprodução do veado, fornecendo mais recursos aos machos e fêmeas – aos machos para poderem lutar entre si e imporem-se, às fêmeas para ganharem reservas energéticas essenciais ao Inverno e gravidez. A variação de produção de landes é conhecida, e a sua abundância este ano promete uma época de brama particularmente intensa.

Para mais informação, sugiro a leitura de um artigo no Fauna Ibérica sobre este assunto e outro no portal do ICNB. Poderão também ver um vídeo RTP feito em Montesinho.

A empresa GoOutdoor organiza dia 19 de Setembro, na Serra da Lousã, uma oficina de um dia sobre os veados, com visita de campo. Também em Setembro, durante os fins-de-semana, entre as 21h00 e as 24h00 a Tapada de Mafra organiza visitas nocturnas focadas na brama. Uma visita ao Monte Barata, propriedade gerida pela Quercus para a conservação da natureza no Tejo Internaciobal é também uma aposta segura para observar e ouvir os veados.

A GoOutdoor organiza uma oficina para observação da brama.

A GoOutdoor organiza uma oficina para observação da brama.

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