Foto de Luc Viatour

Foto de © Luc Viatour GFDL/CC

O chapim-real Parus major é o nosso maior chapim, chegando a ter 14 cm de comprimento. É relativamente comum em áreas florestadas e pode ser escutado e observado por todo o país, da Serra de Montesinho em Trás-os-Montes às Serras de Monchique e Caldeirão no Algarve. Alimenta-se essencialmente de insectos e dá uma enorme contribuição a agricultores na redução dos danos causados pelas lagartas de certas borboletas que se alimentam das folhas de árvores de fruto.

Mas um novo estudo documenta que, nas montanhas Bukk, no Nordeste da  Hungria, o chapim-real aprendeu a caçar e alimentar-se de morcego-anão Pipistrellus pipistrellus em hibernação, a primeira vez que se regista este comportamento. Já havia relatos da Suécia e Polónia de morcegos aparentemente mortos por chapins mas só agora se comprovou.

morcegoanaowikipediaO morcego-anão é o nosso mais pequeno morcego, e com um corpo de 3.5 a 4.5 cm chega a ter apenas um quarto do tamanho do chapim-real. É um morcego comum entre nós e ao anoitecer, no Verão, é frequente vê-lo no campo ou na cidade a voar à caça de traças, mosquitos e melgas.

Os chapins apenas caçam os morcegos quando não têm alternativas de comida e só conseguem fazê-lo visualmente, ou seja só caçam morcegos que estejam em cavidades com luz suficiente para serem detectados e mortos. Um pequeno vídeo na BBC mostra este fenómeno.

Como evoluíu este comportamento é ainda uma incógnita, mas sabe-se que os morcegos-anão e os chapins por vezes ocupam o mesmo tipo de cavidade, uns para descansar durante o dia ou hibernar no Inverno, os últimos para fazerem ninho. Não é difícil imaginar um cenário em que um chapim tenha encontrado um morcego moribundo ou morto e tenha, oportunisticamente, se alimentado da sua carcaça. Mas isto já é especulação!

Será importante salientar que este comportamento dos chapins não é uma ameaça às populações de morcego-anão, visto apenas parecer ocorrer em circunstâncias muito específicas.