A 3 de Setembro de 2009 celebrou-se o centésimo quinquagésimo aniversário da descoberta para a ciência ocidental de uma planta verdadeiramente única, a Welwitschia mirabilis. Foi descoberta pelo explorador e botânico austriaco Frederich A. Welwitsch a 3 de Setembro de 1859 no deserto Angolano de Moçamedes, hoje denominado deserto do Namíbe. A planta viria a ser classificada oficialmente por J. D. Hooker alguns anos mais tarde que a nomeou em honra do seu descobridor.

Desenho feito por Hook.

Desenho feito por J. D. Hooker.

A sua classificação obrigou à criação de um género e família novos para acomodar as diferenças desta planta, algo raro em botânica. Possuidora de características mistas entre plantas sem flor e plantas com flor, foi apelidada de ‘ornitorrinco‘ da botânica. Descrito no final do século XVIII, este mamífero australiano que no entanto põe ovos, tem bico de ‘pato’, cauda de castor, patas de lontra e é venenoso tinha deixado a comunidade científica boquiaberta. E o mesmo acontecia de novo com a Welwitschia mirabilis.

Presente em zonas desertas da Namíbia e Angola, esta planta possue apenas duas folhas que crescem continuamente a partir da base, podendo as folhas rasgarem ao longo do seu comprimento e aparentar serem várias. Pode viver mais de mil anos, sempre com as mesmas duas folhas. Obtém água a partir dos nevoeiros e possuí cotilédones que persitem mais de um ano. É dióica – plantas macho e fêmea separadas – e apesar de, como as coníferas, não produzir flores o pólen assemelha-se ao de plantas com flor. É considerada um fóssil vivo e poderá ter conseguido persistir devido à antiguidade do deserto do Namibe da costa Sudoeste de África, área árida desde há pelo menos 55 milhões de anos.

Exemplar com mais de mil anos. © Thomas Schoch GDLP

Exemplar com mais de mil anos. © Thomas Schoch GFDL CC-BY-SA-3.0

A descoberta desta planta está fortemente ligada a Portugal. Não só foi identificada em território sobre jurisdição portuguesa, em Angola, como o primeiro exemplar recolhido, e que serviria de base para a futura descrição científica, ficou depositado no Herbário do Jardim Botânico da Universidade de Lisboa. Os exemplares que dão origem à primeira descrição de uma espécie biológica são denominados de exemplares-tipo ou espécimes-tipo e são de extrema importância para a biologia, pois servem de referência para questões relacionadas com aquela espécie. A hoje em dia muito desprezada ciência da Sistemática – classificação (taxonomia) e nomeação (nomenclatura) de seres vivos – é um dos pilares essenciais da ciência moderna, daí a importância – muito esquecida! – dos espécimes-tipo.

Para celebrar os 150 anos da descoberta desta fascinante planta, os Correios de Portugal estão a fazer a emissão de um selo comemorativo, disponível ao público em breve.