A base do casulo.

A base do casulo.

O Museu de História Natural de Londres (MHN-L), um dos mais deslumbrantes e mais visitados museus do mundo, ganha um novo e fenomenal edifício com a forma de um casulo de oito andares dentro de uma caixa de vidro. A inauguração a 15 de Setembro de 2009 da segunda fase do Centro Darwin – a primeira fase tinha sido inaugurada em 2002 – completa a maior expansão do museu desde que ocupou as instalações de South Kensington, onde ainda se encontra hoje, em 1881.

Com o custo de 100 milhões de Euros – o preço de uma estação de metro entre nós, enquanto o Museu Nacional de História Natural definha – este novo edifício irá reforçar a missão do museu. Irá salvaguardar 17 milhões de espécimens de insectos e 3 milhões de espécimens de plantas, uma parte substancial dos 70 milhões de espécimens geológicos e biológicos das suas colecções. Entre elas encontram -se 2/3 dos espécimens-tipo usados na descrição das cerca de 1,5 milhões de espécies de seres vivos conhecidas na Terra. Estas colecções são merecedores do investimento feito. O novo edifício irá, ainda, duplicar as áreas de laboratórios para investigação científica, adicionando mais 1000 metros quadrados. E irá continuar a tradição de criar espaços educativos e estimulantes para o público, com três novos pisos de galerias. Os 2500 visitantes ao novo edifício esperados diariamente poderão observar o trabalho dos cientistas de perto, através de paredes de vidro.

O casulo branco tem 60 metros de comprimento, 12 de largura e 30 cm de espessura, cobrindo uma área de 3500 metros quadrados, e mantém o seu interior a 17ºC e a 45% de humidade relativa, ideal para a conservação das colecções. É  a maior estrutura curva de betão projectado na Europa, da autoria do gabinete escandinavo de arquitectura CF Møller.

É, igualmente, uma excelente e justa homenagem a Charles Darwin, no ano em que se celebra o bicentenário do seu nascimento e que passam 150 anos desde a publicação a 24 de Novembro de 1859 da sua obra de referência A Origem das Espécies. Nas novas galerias, estarão em exposição alguns dos espécimens trazidos por Darwin da sua viagem no Beagle.

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Fotos retiradas da página do MHN-L.

O trabalho do MHN-L é de enorme importância. A instituição é constituída por 350 cientistas, com projectos em 68 países, com um orçamento anual de investigação de 23 milhões de Euros, ‘meia dúzia’ de kms de auto-estrada. Mas os proveitos desta investigação, no combate a doenças como a malária, no desenvolvimento de variedades resistentes de plantas, no controlo de pragas, ultrapassam em muito o dinheiro investido. Estes proveitos resultam dos fortes conhecimentos de sistemática e das relações evolucionárias entre organismos que a conservação das colecções do museu e investigação feita sobre as mesmas permitem.

O MNH-L detém grande parte da biblioteca da vida na Terra. É uma enorme alegria ver o investimento que estão a conseguir fazer para manter esta fonte infindável de conhecimento científico pronta a servir o nosso bem-estar futuro.