Setembro 2009


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Um leirão (Eliomys quercinus) ilustrado por Marcos Oliveira.

Nos dias 3, 10, 24 e 31 de Outubro de 2009 (sábados), o ICNB e a Associação para o Estudo e Interpretação da Lagoa de Albufeira – CEILA, organizam o “Curso de Ilustração científica e biológica” na Reserva Natural do Estuário do Sado (RNES).

O curso tem a duração de 22 horas e destina-se a qualquer interessado, com mais de dez anos, com capacidade para desenhar. Prentende ajudar a aumentar os conhecimentos acerca da ilustração científica e ensinar a preparar e executar uma ilustração com valor científico. O curso será orientado pelo ilustrador profissional Marcos Oliveira.

Para mais informações ver aqui. Mapa como chegar aqui.

TallMushroomA Terramater organiza no fim-de-semana de 17 e 18 de Outubro de 2009 um curso de identificação de cogumelos silvestres. O objectivo do curso é facilitar a identificação de espécies de cogumelos, assim como permitir o conhecimento da sua toxicidade, edibilidade ou de outras aplicações. O curso tem a duração de 16 horas e será repetido em Dezembro de 2009, e Fevereiro e Abril de 2010. Mais informações aqui.

Em alternativa ao curso, ou como complemento, serão organizados passeios de identificação de cogumelos silvestres a 8 e 22 de Novembro e a 6 e 20 de Dezembro de 2009. Ver aqui.

observatorio Está pronto e disponível para ser usado o novo Observatório de Aves localizado junto à foz da Ribeira da Granja, na marginal do Rio Douro no Porto.
Este observatório resulta de uma parceria entre a Autoridade Portuária do Douro e Leixões (APDL) e do FAPAS-Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens.

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O Museu Nacional de História Natural (MNHN) iniciou a 17 de Setembro de 2009 um ciclo de 7 conferências sobre a história astronómica, geológica, climatológica e biológica da Terra. Este ciclo tentará, entre outras coisas, ajudar a perceber o quão raras são as condições para a vida no Universo e o quão fabulosa é a aventura do nosso planeta.

Estas conferências integram-se na exposição A Aventura da Terra – um planeta em evolução a inaugurar a 19 de Novembro de 2009 e decorrem no Anfiteatro Manuel Valadares (subir a escadaria que leva ao Museu de Ciência no complexo do MNHN).

Para mais informação, ver aqui.

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A decorrer no Centro de Formação Ambiental da LPN, de 19 a 23 de Outubro de 2009, das 18h às 21h, com o objectivo de “fornecer a perspectiva da riqueza da fauna portuguesa, principais ameaças e instrumentos de conservação das espécies, com especial destaque para espécies ameaçadas” e “dotar os formandos das ferramentas de conservação de espécies em Portugal.”

Ver aqui para mais informações ou seguir a ligação da imagem para ir para a página do cartaz do curso. Mais informação também aqui.

A base do casulo.

A base do casulo.

O Museu de História Natural de Londres (MHN-L), um dos mais deslumbrantes e mais visitados museus do mundo, ganha um novo e fenomenal edifício com a forma de um casulo de oito andares dentro de uma caixa de vidro. A inauguração a 15 de Setembro de 2009 da segunda fase do Centro Darwin – a primeira fase tinha sido inaugurada em 2002 – completa a maior expansão do museu desde que ocupou as instalações de South Kensington, onde ainda se encontra hoje, em 1881.

Com o custo de 100 milhões de Euros – o preço de uma estação de metro entre nós, enquanto o Museu Nacional de História Natural definha – este novo edifício irá reforçar a missão do museu. Irá salvaguardar 17 milhões de espécimens de insectos e 3 milhões de espécimens de plantas, uma parte substancial dos 70 milhões de espécimens geológicos e biológicos das suas colecções. Entre elas encontram -se 2/3 dos espécimens-tipo usados na descrição das cerca de 1,5 milhões de espécies de seres vivos conhecidas na Terra. Estas colecções são merecedores do investimento feito. O novo edifício irá, ainda, duplicar as áreas de laboratórios para investigação científica, adicionando mais 1000 metros quadrados. E irá continuar a tradição de criar espaços educativos e estimulantes para o público, com três novos pisos de galerias. Os 2500 visitantes ao novo edifício esperados diariamente poderão observar o trabalho dos cientistas de perto, através de paredes de vidro.

O casulo branco tem 60 metros de comprimento, 12 de largura e 30 cm de espessura, cobrindo uma área de 3500 metros quadrados, e mantém o seu interior a 17ºC e a 45% de humidade relativa, ideal para a conservação das colecções. É  a maior estrutura curva de betão projectado na Europa, da autoria do gabinete escandinavo de arquitectura CF Møller.

É, igualmente, uma excelente e justa homenagem a Charles Darwin, no ano em que se celebra o bicentenário do seu nascimento e que passam 150 anos desde a publicação a 24 de Novembro de 1859 da sua obra de referência A Origem das Espécies. Nas novas galerias, estarão em exposição alguns dos espécimens trazidos por Darwin da sua viagem no Beagle.

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Fotos retiradas da página do MHN-L.

O trabalho do MHN-L é de enorme importância. A instituição é constituída por 350 cientistas, com projectos em 68 países, com um orçamento anual de investigação de 23 milhões de Euros, ‘meia dúzia’ de kms de auto-estrada. Mas os proveitos desta investigação, no combate a doenças como a malária, no desenvolvimento de variedades resistentes de plantas, no controlo de pragas, ultrapassam em muito o dinheiro investido. Estes proveitos resultam dos fortes conhecimentos de sistemática e das relações evolucionárias entre organismos que a conservação das colecções do museu e investigação feita sobre as mesmas permitem.

O MNH-L detém grande parte da biblioteca da vida na Terra. É uma enorme alegria ver o investimento que estão a conseguir fazer para manter esta fonte infindável de conhecimento científico pronta a servir o nosso bem-estar futuro.

Consegue dar nome a estes frutos de final de Verão?

Consegue dar nome a estes frutos de final de Verão?

São todos frutos de rosáceas, apanhados em diversos locais no início de Setembro para dar sabor à primeira de dez visitas guiadas do programa Laços de Família que decorreu na semana passada. Dois são de plantas silvestres portuguesas, um de uma planta de jardim e outro de uma árvore de fruto mediterrânica. Na imagem estão 2.5x o tamanho real.

Consegue nomear os quatro?        Ver a resposta aqui .

A 3 de Setembro de 2009 celebrou-se o centésimo quinquagésimo aniversário da descoberta para a ciência ocidental de uma planta verdadeiramente única, a Welwitschia mirabilis. Foi descoberta pelo explorador e botânico austriaco Frederich A. Welwitsch a 3 de Setembro de 1859 no deserto Angolano de Moçamedes, hoje denominado deserto do Namíbe. A planta viria a ser classificada oficialmente por J. D. Hooker alguns anos mais tarde que a nomeou em honra do seu descobridor.

Desenho feito por Hook.

Desenho feito por J. D. Hooker.

A sua classificação obrigou à criação de um género e família novos para acomodar as diferenças desta planta, algo raro em botânica. Possuidora de características mistas entre plantas sem flor e plantas com flor, foi apelidada de ‘ornitorrinco‘ da botânica. Descrito no final do século XVIII, este mamífero australiano que no entanto põe ovos, tem bico de ‘pato’, cauda de castor, patas de lontra e é venenoso tinha deixado a comunidade científica boquiaberta. E o mesmo acontecia de novo com a Welwitschia mirabilis.

Presente em zonas desertas da Namíbia e Angola, esta planta possue apenas duas folhas que crescem continuamente a partir da base, podendo as folhas rasgarem ao longo do seu comprimento e aparentar serem várias. Pode viver mais de mil anos, sempre com as mesmas duas folhas. Obtém água a partir dos nevoeiros e possuí cotilédones que persitem mais de um ano. É dióica – plantas macho e fêmea separadas – e apesar de, como as coníferas, não produzir flores o pólen assemelha-se ao de plantas com flor. É considerada um fóssil vivo e poderá ter conseguido persistir devido à antiguidade do deserto do Namibe da costa Sudoeste de África, área árida desde há pelo menos 55 milhões de anos.

Exemplar com mais de mil anos. © Thomas Schoch GDLP

Exemplar com mais de mil anos. © Thomas Schoch GFDL CC-BY-SA-3.0

A descoberta desta planta está fortemente ligada a Portugal. Não só foi identificada em território sobre jurisdição portuguesa, em Angola, como o primeiro exemplar recolhido, e que serviria de base para a futura descrição científica, ficou depositado no Herbário do Jardim Botânico da Universidade de Lisboa. Os exemplares que dão origem à primeira descrição de uma espécie biológica são denominados de exemplares-tipo ou espécimes-tipo e são de extrema importância para a biologia, pois servem de referência para questões relacionadas com aquela espécie. A hoje em dia muito desprezada ciência da Sistemática – classificação (taxonomia) e nomeação (nomenclatura) de seres vivos – é um dos pilares essenciais da ciência moderna, daí a importância – muito esquecida! – dos espécimes-tipo.

Para celebrar os 150 anos da descoberta desta fascinante planta, os Correios de Portugal estão a fazer a emissão de um selo comemorativo, disponível ao público em breve.

No passado dia 13 de Setembro de 2009 foi inaugurado o Parque Botânico do Castelo, em Crestuma, Gaia, resultado de um investimento de 500 mil Euros pela Câmara Municipal de Gaia. A gestão do Parque do Castelo ficará a cabo do Parque Biológico de Gaia. Nos últimos anos, têm sido inaugurados parques botânicos de grande interesse pedagógico e lúdico um pouco por todo o país, resultado da iniciativa de vários municípios.

Este Parque vem juntar-se a outros exemplares, de maior ou menor antiguidade, como os Parque Botânicos de Vila Nova de Paiva, da Tapada da Ajuda ou da Escola Superior Agrária de Castelo Branco. Registam-se, ainda, dois outros futuros parques em fase de instalação ou projecto em Chaves e Borba.

Em Almada, existe o  Jardim Botânico Casa da Cerca, sendo, no entanto, a meu ver um parque botânico e não um jardim botânico. É como parque que o identifico nas ligações.

Qual a diferença? Ambas os tipos de instituição baseiam o seu nome na manutenção de colecções identificadas de plantas vivas. No entanto, nos jardins botânicos as plantas estão documentadas quanto à sua origem e servem primariamente a investigação científica e a conservação de recursos genéticos. Nos parques botânicos, as colecções de plantas destinam-se essencialmente a fins lúdicos e educacionais.

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A planta

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A placa identificadora

Existe em Portugal um parque botânico que já foi jardim. Trata-se do Parque do Monteiro-Mor, inciado no século XVIII como jardim botânico. No entanto, não viria a acompanhar as exigências do tempo para manter essa denominação.

São oito os jardins botânicos de Portugal. Nas Ilhas, temos o Jardim Botãnico do Faial, Açores, e o Jardim Botânico da Madeira. No Continente, e de Norte para Sul, temos o Jardim Botânico da Universidade de Trás-os-Montes, o Jardim Botânico da Universidade do Porto, o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, o Jardim Botânico da Universidade de Lisboa, o Jardim Botânico da Ajuda e o o Jardim Botânico Tropical. Todos possuidores de verdadeiras joias do mundo natural. Lisboa, com três diferentes jardins botânicos, é uma cidade privilegiada a nível nacional e internacional.

Os novos parques botânicos vêm enriquecer este espólio nacional e os municípios estão de parabéns por estes investimentos. É provável que faltem a esta lista alguns parques botânicosmjá em funcionamento. Qualquer adição será bem-vinda!

EuroBirdwatch09_PosterDia 3 e 4 de Outubro, por todo o país, irão decorrer actividades integradas no Fim-de-Semana Europeu de Observação de Aves. Trata-se de um evento anual, promovido pela organização BirdLife International e seus representantes nacionais, em Portugal a SPEA – Sociedade Portuguesa de Estudos das Aves.

Em colaboração com várias entidades, a SPEA organizou um calendário de actividades por todo o país, no Sábado 3 de Outubro e no Domingo 4. Como dia 5 é feriado, é uma excelente oportunidade para integrar actividades de observação de aves no fim-de-semana prolongado.

As actividades que irão decorrer são as seguintes:

Data
Actividade
Localidade
Entidade
3/10
Ponta do Sol (Madeira) SPEA
3/10
Vila Real Quercus – Vila Real e Viseu
3/10
Vimioso ALDEIA
3/10
Seia C.M. Seia e CISE
3/10
Oeiras SPEA e C.M. Oeiras
3/10
Montemor-o-Novo Quercus – Setúbal
3/10
Saída de campo na Albufeira do Caia Arronches (Elvas) Quercus – Portalegre
3/10
Iniciação à Observação de aves Castro Verde LPN
3/10
Fuseta (Olhão) Associação ALDEIA/RIAS
3/10
Vila do Bispo
Natura-Algarve
4/10
Machico SPEA
4/10
Gouveia e outras ALDEIA/CERVAS
4/10
Alcobaça SPEA e C.M. Alcobaça
4/10
Vila do Bispo Mar Ilimitado
4/10
Portimão C.M. Portimão e “A Rocha”

Mais informação também aqui.

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