Setembro 2009


Foto de Luc Viatour

Foto de © Luc Viatour GFDL/CC

O chapim-real Parus major é o nosso maior chapim, chegando a ter 14 cm de comprimento. É relativamente comum em áreas florestadas e pode ser escutado e observado por todo o país, da Serra de Montesinho em Trás-os-Montes às Serras de Monchique e Caldeirão no Algarve. Alimenta-se essencialmente de insectos e dá uma enorme contribuição a agricultores na redução dos danos causados pelas lagartas de certas borboletas que se alimentam das folhas de árvores de fruto.

Mas um novo estudo documenta que, nas montanhas Bukk, no Nordeste da  Hungria, o chapim-real aprendeu a caçar e alimentar-se de morcego-anão Pipistrellus pipistrellus em hibernação, a primeira vez que se regista este comportamento. Já havia relatos da Suécia e Polónia de morcegos aparentemente mortos por chapins mas só agora se comprovou.

morcegoanaowikipediaO morcego-anão é o nosso mais pequeno morcego, e com um corpo de 3.5 a 4.5 cm chega a ter apenas um quarto do tamanho do chapim-real. É um morcego comum entre nós e ao anoitecer, no Verão, é frequente vê-lo no campo ou na cidade a voar à caça de traças, mosquitos e melgas.

Os chapins apenas caçam os morcegos quando não têm alternativas de comida e só conseguem fazê-lo visualmente, ou seja só caçam morcegos que estejam em cavidades com luz suficiente para serem detectados e mortos. Um pequeno vídeo na BBC mostra este fenómeno.

Como evoluíu este comportamento é ainda uma incógnita, mas sabe-se que os morcegos-anão e os chapins por vezes ocupam o mesmo tipo de cavidade, uns para descansar durante o dia ou hibernar no Inverno, os últimos para fazerem ninho. Não é difícil imaginar um cenário em que um chapim tenha encontrado um morcego moribundo ou morto e tenha, oportunisticamente, se alimentado da sua carcaça. Mas isto já é especulação!

Será importante salientar que este comportamento dos chapins não é uma ameaça às populações de morcego-anão, visto apenas parecer ocorrer em circunstâncias muito específicas.

espacobiodiversidadeNo coração do Parque Florestal de Monsanto, junto ao Espaço Monsanto, encontra-se o Espaço Biodiversidade, uma área de mata com 16ha vedada ao público. Este nível mais restrito de protecção permitiu o desenvolvimento de uma área assilvestrada de grande interesse onde ainda se mantêm valores naturais muito diversificados “como lagos, charcos, um açude, viveiros, carvalhais, pinhais, torres de observação, minas de água, o Centro de Recuperação de Animais Silvestres e muitos outros elementos.”

Tudo isto ao lado da grande metrópole, no meio de sobreiros nunca descortiçados, com morcegos aninhados por entre as pregas da cortiça. Foi neste local que foram libertados em 1993 alguns dos esquilos-encarnados Sciurus vulgaris que permitiram a repopulação de Monsanto.

Apesar de vedado, este espaço é visitável, normalmente ao fim-de-semana, em datas pré-anunciadas, sendo necessário inscrição prévia visto haver número limite de lugares em cada visita.

Este Setembro, as visitas abertas ao público, com a duração aproximada de 1h30 serão Sábados 12 e 26 às 10h e 14h30, Sábado 19 às 15h, Domingos 13 e 27 às 14h30.

Mais informações pelo 218 170 200 ou desa@cm-lisboa.pt

Visite a página da Ciência Viva

Visite a página da Ciência Viva

O programa de Verão da Ciência Viva 2009 termina no próximo dia 15 de Setembro de 2009. São ainda seis dias de programação por todo o país, muito rica em actividades relacionadas com a história natural. Observação de aves, identificação de musgos, procura de anfíbios, caminhadas ao longo de cursos de água, uma oferta enorme de oportunidades.

Vale a pena visitar a página da Ciência Viva no Verão ou ligar para o número azul 808200205 de Segunda a Domingo, das 09h30 às 22h30. E após esta data, a página da Ciência Viva mantém ainda uma agenda de actividades activa.

cienciavivadinossaurio

Juliet:
“What’s in a name? That which we call a rose
By any other name would smell as sweet.”

Romeo and Juliet (II, ii, 1-2)

Julieta:
“O que há num simples nome? A flor a que chamamos rosa
com outro nome, teria o mesmo doce perfume.”

Romeu e Julieta (II, ii, 1-2)

São mais de 25 os diferentes tipos de ‘rosa’ que amanhã e Domingo poderemos observar no Jardim Botânico da Universidade de Lisboa. Não serão verdadeiras rosas, mas sim 25 espécies de plantas da família rosácea. Família riquíssima e a terceira mais importante em termos económicos – depois dos cereais das gramíneas e dos feijões e ervilhas dos legumes – devido ao enorme número de frutos que a integra.

Mas sabe, por exemplo, a diferença entre nêspero Mespilus germanica e nêspera Eriobotrya japonica e porque partilham o mesmo nome comum? Venha descobrir connosco no Jardim Botânico da Universidade de Lisboa, amanhã, 09/09/2009 pelas 15h00 ou no Domingo, 13/09/2009 às 10h00 em inglês e 11h30 em Português. Mais detalhes aqui.

Foto de Luis Ferreira.

Foto de Luis Ferreira.

No final do Verão, os veados Cervus elaphus entram em época de reprodução. Os machos desta espécies tornam-se territoriais para obter direitos de acasalamento sobre as fêmeas que deambulem nos seus territórios. E iniciam a vocalização, dia e noite, de penetrantes bramidos, para tornar a sua presença conhecida às fêmeas e a outros machos – a brama. A brama é um espectáculo natural que em Portugal é particularmente audível no Parque Natural de Montesinho, na Serra da Lousã e no Tejo Internacional. Na Tapada de Mafra, espaço fechado com gestão cinegética, também é possível usufruir deste evento anual. Já a Tapada de Vila Viçosa é de acesso muito restrito.

Selo dos CTT

Selo dos CTT

Este ano, a produção de landes/bolotas pelas várias espécies de carvalho da nossa vegetação parece ter ajudado a anteceder a época de reprodução do veado, fornecendo mais recursos aos machos e fêmeas – aos machos para poderem lutar entre si e imporem-se, às fêmeas para ganharem reservas energéticas essenciais ao Inverno e gravidez. A variação de produção de landes é conhecida, e a sua abundância este ano promete uma época de brama particularmente intensa.

Para mais informação, sugiro a leitura de um artigo no Fauna Ibérica sobre este assunto e outro no portal do ICNB. Poderão também ver um vídeo RTP feito em Montesinho.

A empresa GoOutdoor organiza dia 19 de Setembro, na Serra da Lousã, uma oficina de um dia sobre os veados, com visita de campo. Também em Setembro, durante os fins-de-semana, entre as 21h00 e as 24h00 a Tapada de Mafra organiza visitas nocturnas focadas na brama. Uma visita ao Monte Barata, propriedade gerida pela Quercus para a conservação da natureza no Tejo Internaciobal é também uma aposta segura para observar e ouvir os veados.

A GoOutdoor organiza uma oficina para observação da brama.

A GoOutdoor organiza uma oficina para observação da brama.

A Cascais Natura e a Associação Portuguesa de Engenharia Natural-APENA promovem nos próximos dias 24 e 25 de Setembro o curso e conferência ‘Engenharia Natural na promoção da Biodiversidade Urbana’. O objectivo desta iniciativa é divulgar “o papel que a Engenharia Natural desempenha como instrumento de promoção da biodiversidade e de melhoria da segurança de pessoas e bens através do combate à erosão e à degradação das linhas de água”.

Este curso integra-se nas acções do Forúm Biodiversidade 2009, por sua vez integrado no Green Fest 2009.

A Engenharia Natural é sem dúvida um recurso de enorme potencial no combate à erosão e na estabilização e naturalização das margens de cursos de água, entre muitas outras possibilidades. Vale a pena dar uma olhada ao blog Engenharia Verde para ver alguns exemplos de engenharia natural no terreno.

engenhariaverde

A construção de uma paliçada para consolidação de um talude. Foto retirada do blog Engenharia Verde.

A inscrição neste curso e conferência é gratuita. A ficha de inscrição e mais informação sobre este evento podem ser acedidas aqui.

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A Câmara Municipal de Sesimbra, a Junta de Freguesia do Castelo e a Fundação BioLogic@        promovem para o público em geral o curso BioFruticultura, nos dias 26 de Setembro e 3 de Outubro, no Espaço Zambujal. O curso terá a duração de 12 horas, e pretende ajudar à aquisição de conhecimentos básicos, teóricos e práticos de fruticultura biológica.

Mais informações aqui.

rioseco

Foto de Miguel Barbosa

Quem o documenta é Miguel Barbosa do excelente blog de história natural Fauna Ibérica. A seca estival é atribuida à fraca precipitação e temperaturas elevadas. E ao facto de o rio Maças ser um rio – felizmente! – ainda selvagem, sem barragens a regular o seu caudal.

De facto, Agosto foi mais quente do que o normal e a seca meteorológica mantém-se em quase todo o território continental, sendo que 37% do território se encontra em situação de seca moderada, 34% seca severa e 25% em seca fraca. Ou seja 96% do país está em período de seca (ver aqui). Mas devido a vários dias seguidos de precipitação fraca nos meses de Janeiro e Fevereiro e aos frequentes nevões no último Inverno a percepção das pessoas é de estarmos num ano chuvoso.

Com início a 19 de Setembro, a Quercus organiza no Mosteiro de  S. Martinho de Tibães, Braga, o curso ‘Faça agricultura biológica no seu quintal’. O curso terá a duração de seis sessões, a realizar nos sábados 19 e 26 de Setembro, 24 e 31 de Outubro, 7 e 14 de Novembro, entre as 14.30h e as 17.30h.

Inscrição prévia obrigatória. Mais informações aqui.

QuercusOcreza No próximo Domingo 13 de Setembro, a Quercus organiza uma caminhada interpretativa na zona da Foz do Cobrão do rio Ocreza, concelho de Vila Velha de Rodão.

De acordo com a organização, a caminhada “tem como objectivo tomar contacto com a beleza e diversidade da paisagem, aprendendo a interpretar a fauna e flora associada ao rio Ocreza. Pretende-se também descobrir algumas das particularidades geológicas desta área. Nesta área a paisagem é caracterizada pela serra das Talhadas e pelos vales encaixados do rio Ocreza e da ribeira do Cobrão. A vegetação é assinalada pela presença de manchas de matagal mediterrânico que cobrem as encostas acompanhadas por geométricos olivais que dão ao local uma beleza singular. Regista-se a presença constante de espécies animais com elevado estatuto de conservação de entre os quais se destaca a colónia de grifos (Gyps fulvus) que nidificam nas escarpas que contornam o rio Ocreza, a cegonha-preta (Ciconia nigra) e a águia de Bonelli (Hieratus fasciatus).”

A inscrição é aberta a todos. Para mais detalhes ver aqui. Foto retirada do mesmo local.

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