Ilustração da romãzeira numa flora da Alemanha de Otto Thomé de 1885.

Ilustração da romãzeira numa flora da Alemanha de Otto Thomé de 1885.

No próximo Sábado, 17 de Outubro de 2009, pelas 11:00, no Jardim da Fundação Gulbenkian, Lisboa, irá decorrer a segunda de um ciclo de três visitas ao jardim intitulado As Plantas do Jardim Gulbenkian. Depois de na primeira visita nos termos dedicado às Plantas Portuguesas e à sua distribuição em Portugal, na segunda visita será a vez das Plantas Mediterrânicas.

No auge do império romano, territórios do actual Iraque a Portugal, do Reino Unido ao Egipto, estavam debaixo de uma só administração, facilitando o comércio e divulgação de práticas culturais e ajudando à continuada introdução de plantas que são hoje tradicionais em Portugal, como os ciprestes e as alfarrobeiras.

Nesta visita, iremos falar nas histórias associadas a certas plantas, do plátano debaixo do qual Hipócrates reunia com os seus discípulos na Ilha de Cos, aos cedros usados no revestimento das paredes do templo de Salomão na Judeia e à romã usada para inspirar a sua coroa e a coroa dos reinados medievais europeus. Falaremos também da lenda de Píramo e Tisbe, ligada às amoreiras e que mais tarde ajudaria a inspirar a tragédia Romeu e Julieta de William Shakespeare.

Será uma visita rica em história e mitos sobre plantas, uma tradição que os autores António Viana Barreto e Gonçalo Ribeiro Telles quiseram introduzir no seu projecto de arquitectura paisagista ao se inspirarem na mitológica Ilha dos Amores do Canto IX dos Lusíadas de Luís de Camões no desenho do lago e suas margens:

Um dos três outeiros da Ilha dos amores de Camões replicados no Jardim Gulbenkian

Um dos 3 outeiros da Ilha dos Amores recriados no Jardim

Canto IX, 55: 1-4

Três fermosos outeiros se mostravam,
Erguidos com soberba graciosa,
Que de gramíneo esmalte se adornavam,
Na fermosa Ilha, alegre e deleitosa.
(…)

Canto IX, 57

As árvores agrestes que os outeiros
Têm com frondente coma enobrecidos,
Alemos são de Alcides, e os loureiros
Do louro Deus amados e queridos;
Mirtos de Citereia, com os pinheiros
De Cibele, por outro amor vencidos;
Está apontando o agudo cipariso
Para onde é posto o etéreo paraíso.

Quer saber porque são os loureiros Do louro Deus amados e queridos?

Junte-se a nós Sábado, 17 de Outubro de 2009 às 11:00. Bilhete custa 5€ e pode ser adquirido na bilheteira da Fundação Gulbenkian ou online.