Novembro 2009


No próximo Domingo 29 de Novembro de 2009, vai decorrer das 9h00 às 13h00 uma acção de voluntariado na Mata Nacional dos Medos, Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica, organizada pelo Grupo Flamingo.

Os Pequenos Florestadores do Grupo Flamingo em acção.

Integrada na iniciativa Os Pequenos Florestadores, a acção irá incidir no “controlo de plantas invasoras (Chorão e Acácia) e a plantação de árvores e arbustos autóctones (Carrasco, Pinheiro Manso, Aroeira e Medronheiro) produzidas no Viveiro do Grupo Flamingo na Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa de Caparica”.

A participação é aberta a qualquer pessoa e não há limite de participantes. Para que todos tenham material de trabalho (luvas e ferramentas) é necessário fazer inscrição prévia para o endereço electrónico pequenos.florestadores@grupoflamingo.org ou para o telefone do responsável, Hugo Matias, 96 746 62 19. O Ponto de Encontro será no Parque de Merendas da Brigada Fiscal da GNR da Fonte da Telha (Almada). Mais informações aqui.

esquilo

Foto de esquilo por Toivo Toivanen e Tiina Toppila.

A extirpação de uma população de um ser vivo significa que numa determinada zona já não subsiste nenhum exemplar no estado selvagem da espécie em causa. É um facto geograficamente delimitado. Assim, a extirpação em Portugal no século XVI do esquilo Sciurus vulgaris não impediu que no final do século XX se tenha assistido a uma recolonização do nosso teritório continental por esquilos vindos de Espanha e reintroduzidos no Parque Florestal de Monsanto.

É importante salientar que a extirpação de um ser vivo de uma área contribui para fragilizar o seu estatuto global de conservação e aumentar a probabilidade de se vir a extinguir, pois resulta na diminuição do número global de indivíduos e leva à perda de diversidade biológica da espécie. Mas não significa que o ser vivo esteja extinto.

A extinção de um ser vivo significa que não existem mais exemplares vivos em todo o planeta, no mundo selvagem ou em parques botânicos ou zoológicos. Quando se usa a palavra extinto ou extinção de forma isolada está-se a referir a extinção global, em todo o planeta. É final e irreversível.

Cada vez mais no presente assistimos à aceleração de extirpação de populações e extinção de espécies. As notícias sobre estas questões multiplicam-se. Por isso acho que seria importante concordar-se nas condições para o uso destes termos, para tornar a linguagem o mais clara possível.

Evitar a confusão nem sempre é fácil. Com demasiada frequência, a extirpação de uma população local acaba por ser mais um passo na imparável marcha para a extinção. E a extirpação da última população existente de um ser vivo resulta na sua extinção, contribuindo para o esbater da diferença entre os dois termos. Disto resulta que, muitas vezes, ao falar-se de extirpação de uma população a mesma é referida como extinção. Há, também, quem defenda o uso do termo extinção local como equivalente de extirpação. O problema é que esta nuance é perdida em pessoas sem conhecimentos técnicos específicos e acaba-se por referir o facto como extinção, sem acrescentar o epíteto geográfico.

Será importante esta confusão de termos? Não estamos afinal a tentar conseguir travar o enorme empobrecimento da diversidade biológica que será o grande legado civilizacional do século XXI?

Na minha opinião esta confusão é importante e deve ser evitada. Clarifique-se o mais possível o uso destes termos. Por isso, proponho que ao escrever-se sobre conservação da natureza ou história natural se faça bem a distinção entre extirpação, local e reversível, e extinção, global e irreversível.

Disso depende uma correcta prioritização de projectos de conservação e uma correcta informação do público. Como exemplo de um uso correcto destes conceitos refiro o Plano Nacional da Conservação da Flora em Perigo, do ICNB-Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade, onde se fizeram planos de conservação de sete espécies de plantas endémicas de Portugal e ameaçadas de extinção e de uma espécie, o famoso trevo-de-quatro-folhas Marsilea quadrifolia, ameaçado de extirpação em Portugal, mas presente em outros países da Europa. A perda das populações das espécies endémicas resultaria na extinção no mundo selvagem das espécies endémicas, enquanto a perda da população do trevo-de-quatro-folhas em Portugal resultaria na extirpação destas populações e não na extinção da espécie.

trevoquatrofolhas

O feto aquático trevo-de-quatro-folhas, ameaçado de extirpação em Portugal.