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Ando com vontade de voltar a este blog. Deixa ver no que dá.

As actividades no Jardim Botânico

Foto de António Branco de Almeida.

Foi no passado dia 22 de Maio de 2010 que inaugurou esta loja, um projecto e sonho meu de longa data. Espero conseguir que resulte e que se mantenha muitos anos!

Conto com a vossa visita!

Devido à chuva do passado dia 20 de Março de 2010, a “Festa do Desenho e da Paisagem” foi adiada na sua totalidade uma semana, para o próximo Sábado 27 de Março de 2010.

No Sábado 27 de Março eu estarei a facilitar um “Curso de Identificação de Árvores“, também no Jardim Gulbenkian, o que me impossibilita de guiar as duas visitas que estavam previstas no dia 20 e intituladas “O Despertar da Primavera no Jardim Gulbenkian“. Estas visitas serão agora guiadas por Filipa Silva, guia do Jardim Botânico de Lisboa, e terão lugar, como previsto, às 11h e 15h do dia 27/03/2010.

Confirmo assim que o “Curso de Identificação de Árvores” irá decorrer como previsto.

Será um dia ainda mais cheio no Jardim Gulbenkian.

Caíu o Metrosideros excelsa colossal, cheio de personalidade, dislumbrante , do Jardim Botânico da Universidade de Lisboa. O solo saturado em água, resultado das chuvas dos últimos dois meses, não mais conseguiu ancorar o belo tronco desta árvore, cuja idade já lhe pesa. As árvores de grande porte são mais frágeis do que podem parecer.

Apesar dos esforços ao longo dos últimos anos de induzir raízes aéreas a formarem troncos secundários de suporte, a árvore não resistiu ao seu peso e progressiva inclinação e caíu. Para ver como era antes de cair vá ao Blog de Cheiros ou ao blog Árvores de Portugal.

Isto não significa que tenha morrido e estão a ser feitos esforços para salvar o mais possível da árvore. Mas o golpe é grande. É um dia triste para Lisboa.

Vai ter lugar no próximo Domingo, 31 de Janeiro de 2010, pelas 11h30, uma visita guiada ao Jardim do Príncipe Real. Esta visita é promovida pelo grupo “Amigos do Príncipe Real”, é gratuita, e tem como objectivo dar a conhecer as características do jardim e as alterações que a Câmara Municipal de Lisboa está a implementar. A visita durará cerca de uma hora.

Os “Amigos do Príncipe Real” consideram esta visita a melhor forma de explicar as razões que nos têm oposto e que nos continuam a opor à intervenção da CML, ao mesmo tempo que viajamos da Grécia à Nova Caledónia, visitando as árvores do jardim. Sabe, por exemplo, porque é o Cedro do Buçaco duas vezes mentiroso? E sabe que está previsto o abate de 62 árvores no jardim desde Janeiro de 2009 e que a CML quer plantar árvores cuja plantação é ilegal em Portugal?

Venha visitar o jardim connosco. Domingo, 31/Jan/2010, às 11h30. Encontro no acesso à Esplanada do Príncipe Real.

Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010. Este era o cenário no acesso à Esplanada do Príncipe Real, Lisboa, onde estão a decorrer obras de intervenção muito contestadas. Apesar da proximidade das figueiras Ficus macrophylla e araucária Araucaria columnaris classificadas – 4 árvores classificadas muito próximo uma das outras – não foi procurada uma solução alternativa para a passagem de cabos.

Abriu-se um roço de 1 metro, colocou-se uma manilha de betão onde antes havia raízes de figueira, passaram-se cabos, usou-se uma compactadora para compactar o solo – apesar de se estar em cima do sistema radicular das figueiras – e hoje já tudo deve estar tapado como se não se tivesse passado nada.

Mas passou. E, infelizmente, as árvores vão senti-lo. As árvores não morrem de um dia para o outro, nem de um mês para o outro, e muitas vezes nem de um ano para o outro. Mas estas intervenções aceleram o envelhecimento precoce destas árvores.

Já se tinha visto um escavadora gigantesca por cima de todo o jardim, em período de grande pluviosidade e solos saturados de água. O resultado foi a compactação do solo, com efeitos nefastos nas raízes do arvoredo. Também já se tinham registado danos directos à copa e raízes acima do solo das figueiras classificadas. E, agora, isto.

O problema das obras do Jardim do Príncipe Real passa não só pelo conteúdo mas também pelo processo. Bastaria ter havido a intervenção digna de alguém que perceba de árvores de grande porte e facilmente se tinham encontrado soluções alternativas.

Mas a Câmara Municipal de Lisboa tudo sabe e tudo pode. E assim se vai destruindo o nosso património.

Rui Pedro Lérias

Só mais dois dias – 11 e 12 de Dezembro, das 10h00 às 17h00 – para admirar esta fascinante exposição de cogumelos recolhidos em Monsanto e na Arrábida. A exposição está dividida em três tipos de habitat: pinhal; cercal; montado de sobro. A ver no Palmário do Jardim Botânico da Universidade de Lisboa (descer as escadas que ligam a Classe ao Arboreto e rodar 180º para a esquerda para entrar no Palmário).

Os fungos são o Reino esquecido, frequentemente suplantados em admiração pelos animais e plantas. Esta exposição mostra bem que são eles que regem o nosso mundo, reciclando nutrientes. São o motor dos nossos ecossistemas terrestres!

Os organizadores estão de parabéns. Expor cogumelos vivos é muito difícil e laborioso porque o tempo útil de cada cogumelo é muito curto. Ao longo de uma semana foram feitas três visitas de campo para recolha de novos exemplares para manter a exposição  atractiva e fresca. Estão aqui muitas horas de trabalho! Não percam.

Conferência de Copenhaga: O Mundo Todo nas Nossas Mãos. Foto de uma açofeifa - fruto da açoifeifeira Ziziphus zizyphus - na palma da minha mão.

Começa hoje a Cimeira de Copenhaga sobre Alterações Climáticas. A sua organização é, por si só, uma enorme vitória da razão e da ciência sobre a ignorância e a destruição. Não será uma cimeira que resolverá tudo o que há para resolver em relação aos problemas do aquecimento global e das suas presentes e futuras consequências. Mas determinará o tom da discussão e da acção a partir deste momento.

É, também, uma chamada pessoal a todos para que tomemos posições e deixemos um turpor vivencial que nos tem dominado nos últimos anos. Sabemos o que se passa mas sentimo-nos ultrapassados, desmoralizados, acabamos por nos refugiar na negação da realidade. Pessoalmente, já fiz mais no passado para contribuir para mudar o actual e insustentável estado das coisas do que faço hoje. Fui, por exemplo, sócio de várias organizações não governamentais de defesa do ambiente (ONGA), nacionais e internacionais, e participei em campanhas e acções de informação.

Pouco a pouco, o cinismo foi-se apoderando de mim. Ao ver uma ou duas pessoas sem escrúpulos ou ideais usarem as suas posições nas ONGA para benefício próprio, apesar de rodeadas por uma maioria honesta e trabalhadora mas cuja credulidade nas boas intenções de quem trabalhava apenas para si me deixava exasperado, iniciei o meu afastamento. Fui, também, sentindo os resultados da hostilidade dos meios de comunicação social e de muitos dos decisores e comentadores da década de 90. É difícil manter uma actividade na qual empenhamos muita energia e recursos sem qualquer benefício material pessoal quando à nossa volta não só não há reconhecimento mas ainda há muita reprovação. Gostaria de dizer que sou incólume ao que outros pensam de mim, mas a verdade é que o reforço social positivo é muito importante quando se quer manter uma actividade exigente e pouco recompensadora.

Quem queria o status quo de usar bens naturais comuns para proveito próprio conseguiu construir uma imagem pública falsa que as ONGA eram fundamentalistas, que não era possível dialogar com essas organizações, que queriam viver na pré-história, que eram as ONGA que andavam de alguma forma a tirar proveito das suas lutas. Foi uma fórmula neutralizadora que teve sucesso. E, infelizmente, essa mesma imagem foi e tem sido perpetuada por outros lutadores pela causa ambiental que deviam ter um pouco mais de juízo e menos de ego pessoal.

Esta imagem publica das ONGA não podia ser mais errada. As ONGA estavam – e estão – recheadas de pessoas que oferecem o seu tempo e, muitas vezes, meios para lutarem por príncipios em que acreditam e estas pessoas – uma ONGA é o conjunto das pessoas que a compõem, não é uma entidade abstracta – têm sido indispensáveis em desacelerar a destruição ambiental do nosso país. Claro que em todo o lado há pessoas movidas mais pelo interesse pessoal. Mas o balanço das ONGA é extraordinariamente positivo. Se pensarmos que as maiores ONGA nacionais têm apenas um ou dois milhares de sócios a pagar quotas, o trabalho pelo interesse público e comum que desenvolvem é absolutamente singular. Mas – incrivelmente, quando actos deveriam falar por si – a luta por uma imagem pública positiva foi perdida.

No meu caso, deixei a minha negatividade fechar-me os olhos a estes factos durante demasiado tempo. Cansado, segui a minha luta individual e afastei-me da luta colectiva. Foi um erro. Deixei que os interesses de alguns me vencessem pelo cansaço pessoal. Deixei de participar, deixei de pagar quotas.

Mas o dia-a-dia mostra bem que se não nos envolvermos na vida civil, individualmente ou em organizações, se não estivermos preparados para darmos um passo em frente, sermos vistos e contados, sujeitos a sermos, por vezes, atacados, mas sem deixarmos de lutar por algo em que acreditamos, se as Pessoas de Bem deste país continuarem a refugiar-se em casa assustadas com a quantidade de lodo que nos rodeia, o resultado será uma deteriorização contínua da qualidade da nossa democracia e vida.

Cansa, e é  por vezes desesperante – é difícil re-energizar com pequenas vitórias quando as derrotas são enormes e quase avassaladoras – mas o luxo de nos refugiarmos no nosso canto já não é comportável. Felizmente, enquanto eu o fiz, muita gente – muitos dos que tinha considerado excessivamente crédulos e por quem agora tenho muita admiração pela capacidade de resistência e resiliência – não o fez. Têm-se perdido muitas batalhas pela razão e bom senso, a favor do cacequismo e da destruição sem fundamento. Mas cabe-nos a todos nós aderirmos a organizações e darmos o nosso pequeno mas essencial contributo para melhorar o estado das coisas, seja a vida interna de uma organização, seja contribuindo com a quota ou donativo para tornar possível vir a conseguir regular forças económicas muito mais poderosas, capazes de financiar campanhas intermináveis de desinformação. A vida em democracia não é fácil. Requer labor e suor. Tanto que eu queria não ter que aceitar isto e poder continuar no meu mundo …

A Cimeira de Copenhaga é um marco global, uma chamada de atenção planetária. Para mim é também um marco pessoal, uma chamada a que eu não consigo mais não responder.

É caso para dizer que temos o Mundo todo nas nossas mãos. Urge agir. Não nos podemos mais fechar, um a um, nas nossas casas. Por mais confortável que, por agora, nos seja.

loboibericoJLRodriguez

Lobo-ibérico por José Luis Rodriguez.

José Luis Rodriguez é o vencedor do concurso Wildlife Photographer of the Year com uma foto de um lobo-ibérico Canis lupus signatus a saltar uma cerca numa zona rural do Norte de Espanha.

José Luis Rodriguez admite gostar de tirar fotografias ‘impossíveis’ (vejam algumas das suas fotos carregando na ligação do nome dele acima). Esta é sem dúvida uma foto memorável, apenas possível recorrendo à técnica de armadilhagem fotográfica.

Miguel Barbosa, autor do excelente blog Fauna Ibérica, também publica fotos incríveis de mamíferos, capturadas em território nacional usando armadilhagem fotográfica. O seu último post é precisamente sobre uma alcateia de lobo-ibérico perto de Bragança. As fotos são fantásticas. A visitar.

Tomei conhecimento da notícia do concurso de fotografia via Naturlink.

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